Minhas descobertas na pandemia

Hoje, 17 de março de 2021, completo 1 ano que entrei em home office e, desde então, a minha vida profissional passou por um turbilhão de coisas. Entre elas, contrato suspenso, pedido de demissão e, finalmente, eis aqui a mais nova microempreendedora individual do mercado. Troquei a estabilidade da CLT pela liberdade do MEI. O fato é que a adaptação para o formato de teletrabalho foi necessária e importante, pois trouxe uma nova perspectiva que eu ainda não tinha experimentado por tanto tempo.

Desde o meu pedido de demissão, lá em setembro de 2020, não fiquei um dia sem trabalho. Contei com indicações de colegas, ex-colegas, clientes e amigas. E eu sou muito grata por cada pessoa que me estendeu a mão, pois minha lealdade, respeito e confiança é totalmente recíproca a cada uma delas. Não preciso citá-las aqui. Elas sabem. Tenho consciência de que não funciona assim para todo mundo, comparando com a realidade de outros brasileiros que não têm a opção ou privilégio de largar o emprego em meio a uma pandemia. Mas, no meu caso, foi fundamental para que eu continuasse minha caminhada, pudesse priorizar a minha saúde mental, sair da zona de conforto e me reinventar. O apoio da família, namorado e amigos é essencial quando tomamos uma decisão como essa. E eu tive todo esse suporte.

A pandemia do novo Coronavírus desencadeou muitas questões existenciais em cada um(a) de nós e, consequentemente, descobrimos, dia após dia, uma nova (ou velha, por quê não?) versão de nós mesmos. O isolamento social revelou que não precisamos de 80% das coisas que compramos. A quarentena também mostrou que a nossa vida depende — basicamente — de três coisas bem importantes, mas que a rotina e o “viver no automático” muitas vezes não nos permite fazer o básico. São elas: dormir bem, comer bem e fazer exercícios físicos. O senso de urgência deu lugar a nossa saúde mental, que vem sendo tratada com prioridade nos últimos 12 meses.

O fato é que a crise sanitária no país e no mundo, nos obrigou ao uso de máscara facial, álcool em gel, distanciamento social e, consequentemente, o cuidado com o próximo também passou a ser uma preocupação de todos (ou quase todos, não é mesmo?!). Eu sei que algumas pessoas podem interpretar o que vou dizer aqui como algo insensível, mas entenda, não é. A verdade é que no momento mais difícil é quando mostramos a nós mesmos que somos mais fortes do que imaginamos. Ser brasileiro e trabalhar com comunicação não é fácil, nunca foi. Se a gente aguenta certas coisas é porque precisamos pagar os boletos no final do mês, ter comida na mesa todos os dias e, acredito eu, que isso seja uma necessidade de todos nós, independente da área em que atua.

Paola, então você está dizendo que precisou de uma pandemia para mudarmos nossos hábitos, nos reinventarmos, sairmos da nossa zona de conforto e se dedicar e dar atenção para aquilo que realmente importa? SIM! É muito óbvio e, na maioria das vezes, ignoramos o óbvio, seja por puro capricho ou pior, para enganar a nós mesmos, nos autossabotar — outra palavra que ganhou o nosso vocabulário diariamente. Isso porque a quarentena nos fez valorizar as refeições com a família, o diálogo, nos reaproximou, entre tantas outras coisas.

Todo mundo fala em ser produtivo 24 horas, 5 dias na semana (às vezes até 7), sair da pandemia falando 5 idiomas, com 8 novos cursos no currículo. Eu, sinceramente, só espero que todos nós possamos sair com saúde mental e física para seguirmos fazendo aquilo que gostamos ao lado de quem amamos. É isso que realmente importa, mesmo que a gente demore a descobrir isso. Ainda há tempo.

Graduanda em Jornalismo - Unisinos | Redatora SEO | Assessora de Imprensa | Produtora de Conteúdo| Porto Alegre - RS

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